Nunca me dei bem com o sexo. Sempre achei sexo muito complicado, muito carregado. Nunca tive problema pra falar de sexo, mas não sou seguro sobre sexo. Minha vida sexual começou com a empregada da casa do meu padrinho. Foi uma festa em uma festa. Eu fui o primeiro de uns outros 8 a transarem com ela. Luciana chamava a danada. Depois de uns 2 meses ela foi mandada embora, mas eu continuei me lembrando dela, e como lembrava. Ficaram marcas profundas em mim. Uma bela cicatriz de uns 7 cm no canal da uretra devida a uma cirurgia para eliminação das verrugas do HPV.
Na infância, durante as viagens exploratórias sempre era repreendido e enquadrado como “pecador”. Na adolescência tomei uma baita bronca por causa se inocentes revistinhas de sacanagem encontradas pela minha mãe em um armário do banheiro social. Teve até reunião de emergência com meu Pai, que saiu do trabalho apenas pra me dizer que eu devia ter mais cuidado com as minhas revistinhas. Todo esse circo não caiu bem e ajudou a reforçar a idéia de “prazer proibido”. Com o reforço da culpa Católica, me sentia muito mal quando me masturbava. Sujo, infeliz, culpado, pecador...etc. Achava que era castigo de Deus sempre que alguma coisa ruim me acontecia, acreditava que era uma expiação pela punhetinha de ontem. Isso valia pra tudo nota ruim, as tragédias da e na família, brigas com minhas irmãs, brigas entre meus pais, tudo culpa minha. Lembro que comecei a jogar na loteria muito cedo e parecia que a vontade de me masturbar crescia de acordo com o acúmulo do prêmio. E se na véspera de um sorteio acumulado era batata. Me masturbava, não ganhava o prêmio e achava que uma coisa tinha a ver com a outra. Complicada a minha cabeça. Parece uma esponja. Natural que fosse assim na infância mas mesmo depois de crescido eu ainda sou muito suscetível às palavras. Elas tem poder sobre mim. E até hoje palavras chave são pronunciadas pelo meu inconsciente ferozmente. E ele é implacável.
Na transição da adolescência para a fase pseudo-adulta não foi diferente. Muitas frustações muitas cobranças e pouco sexo. Ainda sobre as palavras, sempre me impressionava quando os garotos contavam suas peripécias épicas e eu, sem nem experimentar, já me sentia incapaz de realizar tais façanhas. Nunca confiei no meu taco, apesar de serem comuns elogios à minha performance. Tenho uma teoria. Assim como as mulheres se vestem para outra mulheres os homens fazem sexo para os outros homens. Claro que há edonismo em ambas as situações. Não estou afirmando que não existe prazer no sexo apenas afirmo que há, também, auto-afirmação. Mas em fim, voltando ao assunto, sempre me achei incapaz, micro peniano, sei lá...muito louco isso. Além da minha esposa, que me mostrou o sexo pleno, integro apesar da desintegridade de ambos, lembro de poucas boas vezes que fiz sexo, e posso considerar que fiz bastante sexo