Ainda bem que nunca sabotei nenhuma das ações recentes da minha esposa.
O sentimento de inveja e incapacidade está, bem aos poucos, mudando. Não sei no que vai dar, mas espero que isso seja um combustível para algo saudável e produtivo.
Até mesmo em relação à escravidão que me assume vez em quando estou mais consciente do que está acontecendo.
Gostaria de aprender um pouco mais rápido. Ser mais rápido, mais pró-ativo. Ou então me aceitar mais, usar meus dons e habilidades de acordo com disponibilidade de cada um deles ao invés de ficar observando o progresso do outro. Compartilhar progresso, crescimento.
Hoje li que enquanto vacilo entre uma idéia e outra minha capacidade criativa se dispersa. O filósofo já dizia que cada vida não vivida pulsa dentro de nós. Lindo isso, mas como dói e como custa manter estas ilusões. Será que custa mais do que a mudança. Qual será o "custo de oportunidade" deste investimento.
Pessimismo. Estou péssimo. Mau humor disfarçado por doses generosas de endorfina. Mau humor somado a pessimismo. O pessimista justifica a sua tragédia na tragédia do mundo. Tragédia imanente?
"Honrai vosso Pai e vossa Mãe" e "Abandonai vosso pai e vossa Mãe". Sabias e quase inexeqüíveis.
Luz no fim do túnel.
Li uma interpretação fantástica sobre a parábola do filho pródigo (veja link ao lado). Nesta versão o filho mais novo recebe do pai a sua parte da substância, que é a emancipação. Recebe a liberação para conhecer o mundo mesmo sem ter idade o suficiente e com isso acessa ao mesmo tempo o universo das possibilidades e o "livre arbítrio". Sem a sabedoria, que não lhe foi transmitida, e sem fazer contato com seu íntimo, vai pela vida realizando o roteiro que lhe era traçado pelo seu ego. Com a culpa acumulada pelas ações do agir pelo ego cai em pobreza e se vê em meio as porcos. Chafurda na lama e com o dever do trabalho mas sem direito comida, entra em si e toma consciência da sua condição. Retorna então ao Pai, que festeja a sua volta com que há de melhor pois entende que este filho, viajou pelo mundo e voltou, experimentou a vida e retorna melhor, mais experimentado e portando evoluído em relação ao irmão que ficou.
Me enche de esperança saber que sempre há um caminho para a redenção. Sempre há uma possibilidade. Seja qual for. Um recomeço, uma experiência, um passo, uma ética. Sempre há. Alimenta-me também saber que a lama é passagem e não destino.